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Debate da Band: Oposição une forças contra Celina Leão

Por Notícias da Semana · · 5 min de leitura
Debate da Band: Oposição une forças contra Celina Leão
Foto: Olavo David/Jornal de Brasília

Os candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) participaram neste domingo (9) do primeiro debate das Eleições 2026, promovido pelo Grupo Bandeirantes. O encontro marcou o início da disputa pelo voto do eleitorado candango no pleito de 4 de outubro, com possível segundo turno em 25 de outubro. Participaram do debate Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Capelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo). A organização informou que os convites foram distribuídos conforme a representação dos partidos no Congresso Nacional.

A principal característica do debate foi a união de vários candidatos para questionar a governadora Celina Leão. Logo no início, ela afirmou que “herdou” a crise do BRB e outros problemas do Distrito Federal do governo Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice. Ela citou a queda no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado na semana passada, e as filas para cirurgias e consultas eletivas. Ricardo Capelli (PSB) e José Roberto Arruda (PSD) concentraram suas críticas na gestão da Saúde, enquanto Leandro Grass tentou destacar o tema da Educação, por ser professor.

No primeiro intervalo, assessores de Grass e Capelli comemoraram a união dos candidatos contra a atual governadora. Integrantes do PSB, no entanto, apontaram que o candidato se descuidou do tempo e abriu espaços para ataques. Kiko Caputo (Novo), no primeiro ataque que poupou Celina, criticou o que chamou de “roubalheira da Esquerda”. Capelli desviou do tema, voltou a falar da Saúde e esgotou o tempo disponível. Caputo aproveitou para criticar o governo federal e elogiar o trabalho de Romeu Zena, seu correligionário, em Minas Gerais. No grupo de Arruda, a avaliação era positiva. “Ele está jogando com a bola no pé”, comentou um líder pessedista ao Jornal de Brasília.

Arruda e Caputo também trataram de mobilidade urbana. O ex-governador lembrou que construiu as últimas expansões do metrô, até Ceilândia, e prometeu quatro novas linhas de transporte sobre trilhos. Caputo prometeu novas Estradas Parque para ligar o Plano Piloto a Planaltina e à saída norte. Alvo dos adversários, Celina passou a maior parte do tempo se defendendo e destacou os programas de combate à violência doméstica e de gênero, em debate com Paula Belmonte.

No último bloco, em novo embate com Belmonte, Celina disse que não tinha ingerência sobre a atuação dos parlamentares de sua base na Câmara Legislativa, inclusive os do próprio partido. Em seguida, atacou a gestão anterior. “Eu estou sozinha tentando salvar um banco, eu sou corajosa mesmo”, afirmou. “Nenhum dos candidatos aqui veio ajudar, nem os que têm entrada no governo federal”, completou, ao negar envolvimento com o escândalo do BRB e dizer que seu contato “não consta na agenda de Daniel Vorcaro”.

A governadora também reforçou o rompimento com o ex-governador durante embate com Caputo, que é advogado. “A última vez que elegemos um ex-presidente da OAB nós vimos o que aconteceu. Nunca mais o povo do Distrito Federal vai eleger alguém da OAB”, declarou, em referência ao antecessor. A Segurança Pública foi discutida apenas no final do debate. Capelli questionou Grass sobre suas propostas para a área. “Não adianta colocar câmeras corporais se não tem gente para monitorar”, disse o petista. “É preciso investir em integração entre as polícias, em inteligência”, acrescentou. Capelli prometeu aumentar o efetivo das corporações e trazer de volta as duplas de ronda, os chamados “Cosme e Damião”.

Em sua última resposta, Capelli fez um aceno a Arruda. “Eu defendo seu direito de ser candidato, Arruda”, afirmou, citando uma suposta conversa de assessores de Celina para “tirar o ex-governador da disputa”. “Já tiraram o Reguffe da última campanha numa manobra partidária, não quero que isso aconteça com o senhor”, completou. Arruda respondeu com ironia, dizendo que defende o direito de candidatura de Celina “apesar da Operação Drácon”.

Após o debate, Celina Leão evitou falar sobre o rompimento com Ibaneis, mas considerou “normal” a união dos adversários contra ela. “Faz parte do jogo. Eles querem me atrelar a um governo do qual eu não fiz parte”, declarou. “Agora, querem falar de BRB sendo que ninguém se movimentou para salvar o banco, o candidato do PT não foi capaz de falar com o presidente Lula para mediar uma ajuda federal”, completou. Sobre o balanço da instituição, disse que “não há sentido soltar o balanço sem o empréstimo”.

Kiko Caputo afirmou que não viu agressão de Celina à OAB durante o debate. “Não, ela só quer se distanciar do governo do qual ela era vice-governadora”, disse. Leandro Grass considerou natural que houvesse tabelinhas entre os candidatos tendo Celina como alvo, mas negou acordo. “Cada um traz as suas propostas e apresenta ao público. Foi um bom debate e quem assistiu teve uma boa ideia de quais são as posições dos candidatos”, declarou, acrescentando que deu destaque à Educação por ser sua área, mas que não se limita a essas propostas.

Ricardo Capelli disse estar “honrado” por ser um dos alvos dos contra-ataques da governadora. “É sinal de que estamos incomodando”, afirmou. Arruda voltou a chamar a titular do Buriti de “camaleoa”, por, segundo ele, frequentar diversos espectros e governos, mas “abandonar o barco quando aperta”. “Eu me solidarizo com o ex-governador Ibaneis, porque na política é preciso ter lealdade”, completou. Paula Belmonte negou que houvesse ataques coordenados e garantiu que houve apenas “questionamentos sobre um governo falido”. Ela celebrou “o primeiro debate da vida” e disse estar confiante para os próximos embates.

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