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Eleições no DF: seis candidatos disputam o Buriti

Por Notícias da Semana · · 6 min de leitura
Eleições no DF: seis candidatos disputam o Buriti
visita governadora celina leão ao jbr 5

Com o fim do prazo para as convenções partidárias, o Distrito Federal tem o cenário eleitoral definido para a disputa ao governo. Seis candidatos foram lançados pelas principais siglas. Entre os nomes de destaque estão a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). No campo progressista, o PT lançou Leandro Grass e o PSB aposta em Ricardo Cappelli. A centro-direita também tem representantes: a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

A disputa, porém, não está totalmente definida e alguns fatores podem mudar o cenário até outubro. A crise do Banco Regional de Brasília (BRB), os problemas jurídicos de candidatos e a divisão na esquerda são pontos que devem pesar nos próximos meses e influenciar a decisão do eleitorado brasiliense.

Celina Leão começa a corrida com a vantagem de ocupar o cargo. Ela tem maior visibilidade, pode apresentar as realizações de sua gestão e conta com o apoio da estrutura política construída pelo antecessor, Ibaneis Rocha (MDB). Por outro lado, herda o desgaste da administração, principalmente em relação à crise do BRB.

Arruda entra com capital eleitoral expressivo e uma base política consolidada. A candidatura se apresenta como uma alternativa no campo conservador e pode ser um dos principais concorrentes de Celina, impedindo que ela concentre todos os votos da direita. O ex-governador, no entanto, enfrenta uma situação jurídica complicada que pode ser decisiva.

Na esquerda, há um racha. O PT lançou Grass, que aparece como o nome mais competitivo do campo. Ele enfrenta a concorrência de Cappelli, que começou o trabalho de campanha antes de oficializar a candidatura. No centro, Caputo e Belmonte se apresentam como alternativas à polarização.

A crise no BRB

O BRB enfrenta uma crise financeira após a revelação de fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As irregularidades envolvem operações com o Banco Master e o prejuízo estimado é de cerca de R$ 12 bilhões. O banco ainda não divulgou os balanços financeiros de 2025, documentos necessários para avaliar o rombo na instituição.

O prazo para a divulgação do balanço anual venceu em 31 de março. O BRB informou que o fechamento das demonstrações dependia da conclusão de auditorias e de tratativas com os reguladores. Para recuperar o banco, Celina fechou um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) que prevê uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo ainda não teve resultados efetivos e não há previsão para os recursos entrarem no caixa. A situação aumenta o risco de liquidação do banco.

Para o mestre em Ciências Políticas, professor Gustavo Javier Castro, a condição do banco deve ser um tema central nas campanhas. Se o acordo não for concretizado antes das eleições, Celina terá que explicar por que uma solução anunciada e homologada não produziu resultados. Isso pode enfraquecer o argumento de continuidade administrativa e capacidade de gestão.

Uma possível liquidação teria consequências graves. “O BRB não é percebido apenas como uma instituição financeira, mas como um patrimônio econômico e simbólico do Distrito Federal. Uma crise extrema poderia produzir insegurança entre clientes, servidores, empresários e contribuintes, além de levantar questionamentos sobre a eventual utilização de recursos públicos para cobrir prejuízos”, explica.

Castro avalia que seria plausível uma queda nas intenções de voto de Celina. O impacto depende de fatores como a proximidade do episódio com a eleição, a existência de perdas para correntistas e para o Tesouro distrital, o grau de responsabilidade atribuído ao governo e a capacidade da oposição de transformar a crise em desgaste político. Uma atuação transparente, com divulgação de dados, poderia limitar os danos. Uma postura defensiva tenderia a ampliar o desgaste. “A crise do BRB é provavelmente o principal ponto de vulnerabilidade de sua candidatura”, argumenta.

Arruda e a Lei da Ficha Limpa

Arruda enfrenta uma situação delicada. Ele estava inelegível desde 2014 por causa de um processo de improbidade administrativa ligado à Operação Caixa de Pandora, de 2009. Com as mudanças na Lei da Ficha Limpa, o tempo de perda dos direitos políticos foi reduzido. O teto de inelegibilidade para condenações em múltiplos processos passou a ser de oito anos a partir da condenação em segundo grau.

O STF tem analisado os casos dos políticos enquadrados na norma. O julgamento estava suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A relatora, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Luiz Fux votaram pela inconstitucionalidade de dispositivos centrais da reforma. A legislação atual favorece a interpretação de que Arruda recuperou a elegibilidade, mas uma decisão contrária da Corte pode comprometer a candidatura.

Segundo Castro, a retirada de Arruda mudaria o cenário político. “Ele não é apenas mais um candidato: representa uma parcela relevante do eleitorado conservador e reúne votos ligados à memória de suas administrações”, avalia. Celina seria a principal beneficiária, pois parte dos eleitores de Arruda poderia migrar para ela, por causa da proximidade ideológica. Essa transferência, porém, não seria automática. Parte dos eleitores pode interpretar a exclusão como injusta e adotar uma postura de protesto, votando em outro candidato, anulando o voto ou se afastando do processo.

Racha na esquerda

A manutenção das candidaturas de Grass e Cappelli mostra a dificuldade de unidade na esquerda. Os dois disputam o mesmo eleitorado e tentam se vincular ao projeto nacional de centro-esquerda, mas partem de posições eleitorais diferentes. A divisão impede que o campo concentre votos para chegar ao segundo turno. Com Celina e Arruda nas primeiras posições, a fragmentação pode fazer com que os progressistas disputem entre si um eleitorado limitado.

As duas candidaturas também significam divisão de recursos, tempo de propaganda e apoios partidários. A disputa interna dificulta a construção de uma narrativa comum sobre temas como transporte, saúde, desenvolvimento urbano e a crise do BRB.

Perfil dos candidatos

Celina Leão (PP) começou na política em 2006 como secretária de Juventude de Brasília. Foi deputada distrital entre 2010 e 2015 e presidiu a Câmara Legislativa. Foi deputada federal de 2019 a 2022. Assumiu o governo do DF em março de 2026. É formada em Administração de Empresas e Direito. Seu projeto foca no cuidado com a população vulnerável, na saúde e na capitalização do BRB.

José Roberto Arruda (PSD) foi senador de 1995 a 2001, deputado federal de 2003 a 2007 e governador do DF de 2007 a 2010. É formado em Engenharia Elétrica. Seu projeto foca no resgate administrativo do DF, com promessas de melhorias na saúde, segurança e educação.

Leandro Grass (PT) foi deputado distrital de 2019 a 2022. Disputou o governo em 2022 e não chegou ao segundo turno. Foi presidente do Iphan de janeiro de 2023 a março de 2026. É sociólogo e mestre em Desenvolvimento Sustentável. Suas prioridades são saúde pública e educação.

Ricardo Cappelli (PSB) tem passagem por cargos no Ministério do Esporte e no governo do Maranhão. Foi secretário-executivo do Ministério da Justiça e interventor federal durante o 8 de janeiro. Presidiu a ABDI até 2026. É jornalista com pós-graduação em Administração Pública. Promete o programa Fila Zero na saúde e o maior salário para professores do país.

Kiko Caputo (Novo) foi presidente da OAB-DF e integrou o Conselho Federal da OAB e o Conselho da República. É formado em Direito. Na saúde, promete modernizar o sistema de regulação. Na educação, quer ampliar vagas em creches. Na segurança, prioriza a proteção a grupos vulneráveis.

Paula Belmonte (PSDB) foi deputada federal entre 2019 e 2022 e deputada distrital desde 2022. É formada em Administração de Empresas. Seu projeto foca na primeira infância, na liberdade econômica, na transparência e no combate à violência contra a mulher.

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