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Morar

Rio tem 25 mil imóveis lançados em 12 meses; entenda

Novo Plano Diretor e alta no turismo movimentam construção na cidade; veja o que muda para quem compra ou aluga
Rio tem 25 mil imóveis lançados em 12 meses; entenda
Edição de sábado

O mercado imobiliário do Rio de Janeiro somou 25 mil unidades lançadas no acumulado de 12 meses até junho de 2026, segundo dados da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio (Ademi-RJ) citados pelo Extra e por O Globo. O número mostra que a cidade mantém ritmo forte de novos empreendimentos mesmo com os juros elevados, que normalmente encarecem o financiamento e desestimulam a compra.

Parte da explicação está no novo Plano Diretor da cidade, aprovado em 2024, que facilitou a aprovação de projetos residenciais em regiões como Zona Norte, Centro e Região Portuária. Outro fator é o turismo em alta: o Brasil recebeu 9,3 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, alta de 37% sobre o ano anterior e recorde histórico segundo a Embratur, e 2,2 milhões deles desembarcaram no Rio.

Quem sente o efeito desse ciclo

O movimento afeta perfis bem diferentes de morador e investidor. De um lado, famílias que buscam imóveis pelo programa Minha Casa, Minha Vida, cujos juros subsidiados não sobem junto com a taxa básica de mercado. De outro, quem procura estúdios compactos na Zona Sul, voltados tanto para moradia quanto para locação de temporada, e também investidores interessados em hotelaria de luxo.

Segundo Leonardo Mesquita, presidente da Ademi-RJ, a procura por imóveis segue firme "mesmo em um momento complexo" de juros altos. Ele também comanda a construtora Cury, que lançou oito empreendimentos no Rio neste ano, somando 5,4 mil unidades em bairros como Centro, Ramos, São Cristóvão e Piedade.

A Tenda, outra incorporadora voltada ao Minha Casa, Minha Vida, projeta crescimento de 30% nos lançamentos deste ano, com foco em São Cristóvão, Cascadura e Tomaz Coelho, segundo Alexandre Millen, diretor de Negócios Regional da empresa. Já no alto padrão, a escassez de terrenos em bairros como Ipanema e Leblon tem direcionado investimentos para menos unidades, porém mais caras.

O que muda na prática para quem procura imóvel

Para quem pretende comprar um imóvel compacto no Centro ou na Região Portuária, a tendência é de unidades menores, com mais opções de lazer dentro do próprio prédio, como piscina, academia e lavanderia compartilhada. Segundo a MRV, incorporadora especializada em habitação popular, os lançamentos recentes oferecem em média dez opções desse tipo de estrutura comum, e 85% dos projetos já saem com piscina.

Vinicius Benevides, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Rio), afirma que um terço das unidades lançadas em junho eram compactas, mas descarta a ideia de que esse tipo de imóvel serve principalmente para aluguel de curta temporada. Segundo ele, no Centro e na Região Portuária, cerca de 70% das compras usam recursos do FGTS, o que indica que a maioria é de quem vai morar no próprio imóvel.

Quem busca estúdios na Zona Sul também tem mais opções chegando ao mercado. O Opportunity Imobiliário já lançou 11 residenciais sob a marca Be.in.Rio, criada em 2024, e prepara mais cinco lançamentos, segundo Marcelo Naidich, gestor da empresa. Ele reforça que o aquecimento não é generalizado, e sim concentrado em localizações específicas e empreendimentos de maior qualidade construtiva.

Hotelaria e escritórios também sentem a retomada

Além da moradia, o setor hoteleiro tem atraído aportes relevantes. A Glória Participações, holding que já opera oito hotéis no Centro e em Copacabana, adquiriu recentemente o hotel Praia Ipanema, na Avenida Vieira Souto, para transformá-lo em empreendimento de luxo. Daniel Pierro, sócio da empresa, avalia que a retomada do turismo na cidade já se confirmou, puxada também pela volta de voos internacionais ao Aeroporto do Galeão.

O mercado de escritórios corporativos também reflete esse cenário mais aquecido. A BGRE, braço da gestora Brookfield que administra seis prédios comerciais no Rio, entre eles o Ventura Corporate Towers e o Edifício Manchete, registra taxa de ocupação combinada de 89%, segundo Hilton Rejman, presidente executivo da empresa no Brasil.

O que ainda depende de confirmação

Os próprios executivos ouvidos por Extra e O Globo classificam o aquecimento como seletivo, concentrado em determinadas regiões e tipos de imóvel, e não um movimento uniforme por toda a cidade. O ritmo de lançamentos para o segundo semestre de 2026 ainda depende da evolução dos juros: segundo Guilherme Mororó, diretor da CTV, uma eventual queda na taxa básica ampliaria ainda mais o espaço de crescimento do setor.

Quem pretende comprar imóvel no Rio nos próximos meses deve acompanhar three frentes: a manutenção ou não dos juros subsidiados do Minha Casa, Minha Vida, o avanço de programas como o Reviver Centro, que facilita a reocupação de prédios antigos, e o comportamento do turismo, que tem sustentado tanto a hotelaria quanto os estúdios voltados à locação por temporada. Nenhuma das fontes traz previsão de preço médio do metro quadrado para o restante do ano, o que ainda não está confirmado.

Fontes consultadas

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