Flávio Bolsonaro nega escândalos e fala em 'guerra psicológica

O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta quinta-feira (6) que enfrenta uma “guerra psicológica” em sua campanha por causa de especulações sobre possíveis escândalos. O presidenciável enfrenta desgastes desde maio, quando foi revelado que ele pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
Em entrevista ao podcast Market Makers, o candidato descartou deixar a corrida presidencial e rejeitou a possibilidade de abrir espaço para outro candidato da direita. “Estão nos punindo pelo que pode acontecer no futuro, algo que ninguém sabe. Posso garantir que não há nada de errado da minha parte”, afirmou.
Ao seu lado, a economista Daniella Marques, que era cotada para ser sua candidata a vice-presidente, reiterou que, em um Estado democrático de Direito, o ônus da prova cabe ao acusador. Ela criticou o que classificou como uma sucessão de ilações contra o senador.
Questionado sobre sua relação com Vorcaro, controlador do Banco Master, o senador disse que o contato ocorreu exclusivamente por causa da busca por investidores privados para financiar o filme sobre Bolsonaro. Ele afirmou ainda que apoiou pedidos para investigar o banco por acreditar que não haveria irregularidades.
Flávio também voltou a fazer acusações, sem apresentar provas, de que integrantes do governo Lula teriam atuado para favorecer o Master em negociações envolvendo o Banco Central. Nesse contexto, o candidato citou que Lula defendeu segurar a venda do Master até a troca da presidência do Banco Central.
Daniella afirmou que Vorcaro mantinha relações com diversos agentes do mercado financeiro e do Judiciário. Segundo ela, não havia proximidade entre o empresário e Flávio Bolsonaro. A economista disse que o controlador do Master “fez negócio com todo mundo na Faria Lima”.
Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro, em 2025, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Bolsonaro. Ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente pagos. O caso se tornou um inquérito conduzido pela Polícia Federal.
Na entrevista, o candidato citou denúncias de que organizações criminosas como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital estariam usando corretoras ligadas a empresas da Faria Lima para lavar dinheiro. Ele criticou a falta de compliance no setor. “Que mundo é esse em que pessoas não querem fazer um esforço para melhorar seus mecanismos de controle?”, questionou.
Em outro momento, o presidenciável voltou a atacar o governo federal. Sem apresentar provas, ele afirmou que pessoas ligadas ao PCC e ao esquema de fraudes no INSS teriam influência sobre o Palácio do Planalto.