Dólar cai com alta do petróleo apesar de risco geopolítico
O dólar à vista fechou em baixa de 0,40% nesta segunda-feira, 1º de junho, cotado a R$ 5,0227, após atingir a mínima de R$ 5,0122. A queda ocorreu apesar do…
O dólar à vista fechou em baixa de 0,40% nesta segunda-feira, 1º de junho, cotado a R$ 5,0227, após atingir a mínima de R$ 5,0122. A queda ocorreu apesar do aumento das tensões no Oriente Médio e da aversão a risco global, impulsionada pela alta do petróleo. No mês de maio, a moeda americana havia subido 1,82%, e no ano, acumula perda de 8,50%.
O dia foi marcado pelo anúncio do Irã de suspender as conversas com os Estados Unidos, em protesto aos ataques de Israel a bases do Hezbollah no Líbano. Autoridades iranianas alertaram moradores do norte de Israel para deixar a região. A escalada retórica elevou os preços do petróleo, que chegaram a US$ 97 o barril do Brent para agosto, antes de fechar a US$ 94,98, alta de 4,24%.
O head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, explicou que o cenário geopolítico gera dois efeitos opostos: o aumento da aversão ao risco, que prejudica moedas emergentes, e a alta do petróleo, que favorece o Brasil por ser exportador líquido da commodity. “Foi um pouco o que vimos hoje”, afirmou. A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, acrescentou que a piora das projeções de inflação no Boletim Focus aumenta a expectativa de juros elevados no Brasil, atraindo capital externo.
O real foi uma das poucas moedas emergentes a se valorizar, mas o destaque do dia foi o peso colombiano, que avançou mais de 2,5% com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que favoreceu o candidato de direita Abelardo de la Espriella. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operou em alta moderada, perto dos 99,200 pontos.
O Ibovespa caiu pelo quinto pregão consecutivo, com baixa de 0,91%, aos 172.197,46 pontos, menor nível desde 21 de janeiro. O giro financeiro foi de R$ 28,4 bilhões. As ações da Petrobras subiram (ON +1,31%, PN +0,88%) acompanhando o petróleo, enquanto Vale (ON -1,35%) e Itaú (PN -1,65%) recuaram. Entre as maiores altas, Totvs (+4,32%), Brava (+2,57%) e Cosan (+2,11%). As maiores quedas foram de Minerva (-5,15%), RD Saúde (-4,44%) e Suzano (-3,01%).
No mercado de juros, as taxas dos contratos futuros subiram. O DI para janeiro de 2027 foi a 14,205%, e o para janeiro de 2029 saltou para 14,06%. O Boletim Focus mostrou piora nas expectativas de inflação para 2026, 2027 e 2028. A curva passou a precificar cerca de 70% de chance de corte de 0,25 ponto na Selic em junho, com taxa terminal em 14,25%.