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Dólar cai após Copom cortar juros para 14% ao ano

Por Notícias da Semana · · 3 min de leitura
Dólar cai após Copom cortar juros para 14% ao ano
dolar e bolsa

O dólar opera em queda na manhã desta quinta-feira (6), com investidores avaliando a decisão de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. Por volta das 9h54, a moeda norte-americana recuava 0,43%, cotada a R$ 5,108.

Na quarta-feira (5), o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Este foi o quarto corte consecutivo da Selic, uma decisão que já era esperada pelos economistas.

No comunicado oficial, o colegiado não deu pistas sobre os próximos passos da política monetária. O texto afirma que o tamanho total do ajuste será definido "à luz de novas informações", considerando os riscos para a trajetória dos preços. O comitê afirmou que seguirá monitorando o cenário para manter a restrição adequada e assegurar a convergência da inflação à meta.

David Beker, chefe de economia para o Brasil e de estratégia para a América Latina no Bank of America, mantém a projeção de mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, seguido de uma pausa prolongada. Segundo ele, o Copom mudou levemente o tom sobre o cenário doméstico. No comunicado anterior, a atividade econômica era descrita como "acelerando". Agora, o texto fala em "desaceleração gradual, com sinais mistos". O mercado de trabalho segue aquecido, mas o BC reconheceu melhora nos indicadores recentes de inflação.

No cenário externo, Beker observou que o comunicado manteve a referência às incertezas da guerra e incluiu uma menção à incerteza sobre a política monetária das economias desenvolvidas.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avaliou que o comunicado ficou mais claro que o anterior e não deve gerar a mesma confusão da última decisão. "Acredito que esse comunicado está mais amarrado. Sem forward guidance, também acho que é um ponto importante, dado o nível de incertezas sobre o cenário básico", disse.

Sung também destacou que o documento reforça os riscos para a inflação, como a desancoragem das expectativas, o conflito no Oriente Médio, questões climáticas que podem afetar os preços dos alimentos e medidas de incentivo à atividade econômica.

Na véspera, o dólar fechou em leve queda de 0,07%, a R$ 5,129. O Ibovespa recuou 0,15%, aos 177.726 pontos, influenciado pelos balanços corporativos da semana e pela cautela antes da decisão do Copom. As ações do Itaú, após o balanço divulgado na véspera, e papéis sensíveis à curva de juros, como Raia Drogasil e incorporadoras, sustentaram o índice.

No cenário político, investidores acompanharam a pesquisa Genial/Quaest. O levantamento mostra Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, mas com vantagem menor que na pesquisa anterior. No segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio. Foram ouvidas 2.004 pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Na edição anterior, Lula tinha 45% e Flávio, 37%.

Analistas apontam que o senador do PL tem perfil mais alinhado à disciplina fiscal que o atual presidente. A equipe econômica do pré-candidato defende um ajuste fiscal inicial de dois pontos percentuais do PIB em caso de vitória. Na quarta-feira, Flávio Bolsonaro anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (AL) como candidato a vice. Ex-procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Alagoas, Gaspar era pré-candidato ao Senado. A escolha, mantida em sigilo, surpreendeu aliados que esperavam uma mulher ou um nome de outro partido na vaga.

Em Wall Street, as bolsas fecharam sem direção única na véspera. O S&P 500 subiu 0,01%, o Dow Jones avançou 0,49% e o Nasdaq caiu 0,83%. No cenário internacional, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse na segunda-feira (3) que conversas entre Washington e Teerã "estão ocorrendo". A declaração foi reforçada na terça pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent. As falas contrariam a posição de Teerã, que nega negociações em andamento, mas aumentaram o otimismo dos investidores.

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