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CNI mantém PIB em 2% e eleva projeção de inflação

Por Notícias da Semana · · 3 min de leitura
CNI mantém PIB em 2% e eleva projeção de inflação
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para este ano e revisou para cima a estimativa de inflação. A informação consta no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22).

A entidade avalia que a economia deve seguir em ritmo moderado, puxada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços. Ao mesmo tempo, alerta que juros elevados, inflação persistente, custos de produção mais altos e o aumento das importações devem limitar uma recuperação mais forte da atividade.

Em nota, o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, afirmou que o crescimento continuará sustentado pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Segundo ele, a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais seguem como entraves para uma expansão mais acelerada.

Na inflação, a CNI passou a prever alta maior dos preços neste ano, citando pressão de alimentos, combustíveis e serviços. O cenário fiscal também preocupa a entidade, que avalia que, embora a arrecadação federal deva crescer, o aumento das despesas públicas tende a manter as contas do governo no vermelho e elevar o endividamento do país.

A confederação também revisou para cima a expectativa para a indústria, impulsionada sobretudo pela atividade extrativa, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo e menos sensível aos juros elevados. Na indústria de transformação, apesar da melhora na projeção, o setor segue pressionado pelo avanço das importações, pelos juros altos e pelos custos adicionais decorrentes da guerra no Oriente Médio. Segundo a CNI, apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam crescimento.

A construção civil deve ganhar impulso com medidas governamentais voltadas ao crédito habitacional e aos investimentos em infraestrutura. Já no campo, a expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, e o crescimento da produção animal levaram a entidade a elevar pela segunda vez consecutiva a projeção para a agropecuária.

No setor de serviços, a CNI passou a ver crescimento menor do que o estimado anteriormente. A atividade segue apoiada pelo mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação, mas a inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados reduziram a projeção.

Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI também reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros. Agora, prevê apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026.

No cenário externo, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como o principal fator de risco para a economia brasileira. O conflito elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão possa diminuir ao longo do ano com o aumento esperado da oferta mundial de petróleo.

A entidade também observa o avanço das importações de bens de consumo em meio à desaceleração da indústria nacional e cita como risco adicional a possível ampliação das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o que pode afetar o desempenho das exportações ao longo de 2026.

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