BC reduz Selic a 14% ao ano em corte de 0,25 ponto

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa básica de juros para 14% ao ano. O corte foi de 0,25 ponto percentual na Selic, o quarto seguido. Com a decisão, o BC consolida um dos ciclos de queda mais suaves desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999.
A decisão do colegiado foi unânime e já era esperada pelo mercado financeiro. As instituições consultadas pela agência Bloomberg apostavam todas no corte de 0,25 ponto percentual.
A Selic acumula queda de 1 ponto percentual desde o início do processo de flexibilização, em março. A taxa ficou estacionada em 15% ao ano por nove meses e, desde então, foram quatro cortes de mesma intensidade. Com isso, os juros chegaram ao menor patamar desde março do ano passado, quando estavam em 13,25% ao ano.
A diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Brasil caiu para 10,25 pontos percentuais. Na semana passada, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) manteve as taxas na faixa entre 3,5% e 3,75%, com três diretores defendendo alta de 0,25 ponto percentual.
No cenário doméstico, os indicadores evoluíram desde o encontro anterior, em junho, com recuo da inflação e moderação da atividade econômica. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou a 4,64% no acumulado de 12 meses até junho, puxado pela queda dos preços de alimentos. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) recuou a 4,52% nos 12 meses até julho.
Apesar da trégua recente, os dados seguem acima do teto da meta perseguida pelo BC. O alvo central é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No modelo atual, de avaliação contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo de 1,5% a 4,5%.
O comitê acompanha a inflação esperada para o primeiro trimestre de 2028. Apesar do recuo da estimativa para o IPCA deste ano, a 5,03%, as projeções para prazos mais longos estacionaram depois de nova deterioração. Segundo o boletim Focus, as previsões dos analistas para 2027 e 2028 subiram para 4,22% e 3,8%, respectivamente.
A atividade econômica tem dado sinais de desaceleração no segundo trimestre após o crescimento de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) nos três meses iniciais do ano. Especialistas apontam os altos juros como a principal explicação para essa perda de ritmo. Esse movimento, contudo, pode ser atenuado pelas medidas fiscais e de crédito anunciadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com potencial para impulsionar o consumo das famílias em ano eleitoral.
No ambiente externo, o preço do petróleo caiu na véspera do Copom para o menor valor em quase um mês, depois de os Estados Unidos falarem em acordo com o Irã. Na terça (4), o barril Brent ficou abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde 13 de julho.
Cinco das oito reuniões do Copom do ano foram realizadas com quórum reduzido, com desfalque de dois diretores. O próximo encontro está previsto para 15 e 16 de setembro.