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Presidente da CPMI do INSS mandou R$ 3,6 mi à Lagoinha

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), deputado Carlos Viana, é alvo de investigação após a descoberta de repasses de recursos públicos à Fundação Lagoinha.

Documentos obtidos pelo colunista Tácio Lorran, do portal Metrópoles, revelam que o parlamentar destinou cerca de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para a fundação mantida pela Igreja Batista da Lagoinha, sediada em Belo Horizonte.

As transferências ocorreram entre 2019 e 2023, período em que Viana atuou como deputado federal. Os valores foram executados por meio de emendas de relator-geral do Orçamento, um mecanismo com menos transparência sobre a destinação final dos recursos.

A Fundação Lagoinha é uma entidade sem fins lucrativos ligada à igreja de mesmo nome, uma das maiores do país. A instituição desenvolve trabalhos sociais em áreas como educação e assistência.

A situação levanta questionamentos sobre o uso de emendas parlamentares, especialmente no contexto de uma CPMI que investiga possíveis desvios e irregularidades no INSS. Carlos Viana preside a comissão que tem a função de apurar suspeitas de corrupção e prejuízos ao erário na autarquia previdenciária.

Procurado, o deputado afirmou que todos os repasses foram realizados dentro da legalidade e para cobrir despesas com projetos sociais previamente aprovados. Ele negou qualquer irregularidade na destinação dos recursos.

Especialistas em direito financeiro ouvidos pela reportagem destacam que, embora a prática de destinar emendas a entidades religiosas não seja ilegal por si só, é necessária total transparência e comprovação da aplicação dos valores em finalidades públicas.

A CPMI do INSS foi instalada em 2023 para investigar denúncias de fraudes em benefícios, superfaturamento em sistemas e possível atuação de organizações criminosas dentro do instituto. O andamento dos trabalhos agora ocorre sob a presidência de um parlamentar cujas próprias emendas estão sob escrutínio.

O caso deve ser discutido nas próximas reuniões da comissão, conforme adiantaram alguns de seus integrantes. A oposição já sinalizou que pode pedir esclarecimentos formais sobre os repasses.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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