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Netflix e WBD reabrem negociações com Paramount, diz Sarandos

A Warner Bros. Discovery (WBD) anunciou na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, que reabrirá as negociações com a Paramount Skydance, após receber uma isenção limitada da Netflix. A decisão visa explorar as “deficiências” na oferta da Paramount para adquirir a totalidade da WBD. A Paramount havia feito uma oferta hostil aos acionistas da WBD, oferecendo US$ 30 por ação, após perder uma disputa de licitação para a Netflix.

De acordo com um comunicado da WBD, a isenção concedida pela Netflix permite que a empresa converse com a Paramount durante um período de sete dias, encerrando em 23 de fevereiro de 2026. O objetivo é buscar clareza para os acionistas da WBD e dar à Paramount a oportunidade de apresentar sua melhor e última proposta.

As lideranças da Paramount têm reiterado que a oferta de US$ 30 por ação em dinheiro não é sua “melhor e final”. Recentemente, a empresa tentou melhorar sua proposta com “aprimoramentos”, mas não aumentou o valor por ação. Um representante sênior da Paramount informou que a empresa estaria disposta a pagar US$ 31 por ação se as negociações fossem retomadas.

David Zaslav, CEO da WBD, destacou que o foco está em maximizar o valor e a certeza para os acionistas da empresa. Ele afirmou que a WBD tem orientado a Paramount sobre as deficiências nas propostas apresentadas e as oportunidades de melhorias. “Estamos engajados com a PSKY agora para determinar se podem entregar uma proposta acionável e vinculativa que ofereça valor superior e certeza para os acionistas da WBD”, acrescentou Zaslav.

O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, comentou que a isenção foi concedida para proporcionar clareza aos acionistas, que estavam sendo alvo de confusão devido às declarações da Paramount. Sarandos enfatizou que a Netflix está disposta a manter seus direitos de igualar propostas, embora não tenha revelado até onde estaria disposta a ir com sua própria oferta, que atualmente é de US$ 27,75 por ação.

A Paramount, por sua vez, reconheceu a decisão da WBD e expressou disposição para discutir a proposta de forma construtiva, enquanto também anunciou que continuará com sua oferta de aquisição e sua intenção de nomear diretores para o conselho da WBD durante a reunião anual.

A WBD também informou que uma reunião especial de acionistas está marcada para 20 de março, e o seu conselho continua a recomendar unanimemente o acordo com a Netflix em detrimento da proposta da Paramount.

A situação é complexa, pois ambas as propostas levantam questões regulatórias. A proposta da Netflix de aquisição é analisada sob a perspectiva de que uniria dois dos principais serviços de streaming, potencialmente resultando em preços mais altos para os consumidores. A liderança da Netflix acredita que conseguiria a aprovação regulatória, pois a fusão preservaria empregos em um cenário desafiador para a mídia.

Por outro lado, a Paramount argumenta que sua oferta é superior e teria mais chances de receber apoio governamental. No entanto, a proposta da Paramount levanta preocupações sobre financiamento estrangeiro e considerações antitruste, especialmente porque parte do financiamento vem de fundos soberanos da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.

A Netflix destacou que espera um escrutínio adicional sobre o financiamento estrangeiro da proposta da Paramount, especialmente por parte de reguladores internacionais. O debate sobre as implicações de cada proposta continua, com questões de segurança nacional e antitruste sendo centrais nas discussões.

Com a volatilidade do mercado e a crescente competição no setor de streaming, o desfecho dessas negociações pode moldar o futuro das duas gigantes da mídia e impactar o panorama mais amplo da indústria.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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