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EUA ameaçam Irã com isolamento econômico inédito

Por Notícias da Semana · · 3 min de leitura
EUA ameaçam Irã com isolamento econômico inédito
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O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou na quinta-feira o Irã com um isolamento econômico “como o mundo nunca viu”. A declaração indica o endurecimento das medidas de Washington, que no início de agosto havia mencionado um acordo iminente para reabrir o Estreito de Ormuz.

A nova escalada verbal ocorre enquanto a guerra, iniciada no fim de fevereiro com a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica, está perto de completar seis meses.

“Será uma combinação de isolamento econômico, como o mundo nunca viu”, disse Bessent ao canal de televisão conservador Newsmax, sem dar mais detalhes. Ele acrescentou que “o contínuo bloqueio no Estreito de Ormuz impedirá que qualquer coisa entre ou saia dos portos iranianos”.

O tom mudou em poucos dias. Em 4 de agosto, o próprio Bessent mencionou um possível acordo com Teerã “hoje ou amanhã” para reabrir a passagem estratégica para o comércio mundial de combustíveis. “Temos conversas muito boas”, afirmou na ocasião o presidente Donald Trump, ao garantir que o Irã queria chegar a um acordo.

As declarações tranquilizadoras provocaram alta na Bolsa de Wall Street e queda nos preços do petróleo, apesar da estagnação das negociações. Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram um protocolo de acordo, mas o entendimento fracassou no início de julho. Desde então, Trump enfrenta dificuldades para encontrar uma saída diante das exigências drásticas do regime iraniano.

Trump afirmou em 1º de agosto que qualquer acordo deveria incluir a abertura “completa e total” de Ormuz e “o fim da ameaça nuclear iraniana”. Agora, o presidente americano parece priorizar uma abordagem mais prudente, baseada na pressão econômica.

O Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo mundial antes da guerra, segue como o principal ponto de divergência. Na prática, a passagem está fechada pelo Irã. Teerã exige que os navios recebam autorização para usar a via e pretende impor, a longo prazo, taxas de serviço, algo que Washington rejeita.

Com a mudança de abordagem, as armas nucleares, principal motivo apresentado por Trump para iniciar a guerra ao lado de Israel, ficaram em segundo plano. “O objetivo número um: manter o petróleo e o gás baratos para os americanos em todo o nosso país”, disse na quinta-feira o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao canal Fox News. “E depois, obviamente, o objetivo número dois é garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear”, acrescentou.

Bessent apresentou a estratégia contra Teerã como a combinação de duas medidas: asfixia financeira e bloqueio físico, citando como comparação Cuba e Venezuela. “A Venezuela entrou em colapso imediatamente quando impusemos o bloqueio”, afirmou.

No início da semana, Trump disse que um acordo para reabrir o estreito era iminente. Agora, seu governo, com a diplomacia paralisada, parece acreditar que o sofrimento econômico levará o Irã a ceder. O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, acusou na quinta-feira os Estados Unidos de “cálculos ruins” relacionados a falhas de inteligência. “Um exemplo: a guerra contra o Irã. Agora, um erro de cálculo ainda mais grave sobre o Estreito de Ormuz”, escreveu o chanceler no X.

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