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Dólar sobe, Wall Street recorda: risco é ficar 100% Brasil

Por Notícias da Semana · · 3 min de leitura

O dólar subiu e Wall Street renovou recordes, mas gestores alertam que o maior risco para o investidor brasileiro é manter todo o patrimônio aplicado no Brasil. A economia norte-americana é maior e mais forte que a brasileira, com perspectivas futuras mais atraentes.

Para Luciano Boudjoukian França, da Paramis Avantgarde Asset, a menor preocupação do investidor deve ser tentar acertar o câmbio. "Essa é uma alocação estratégica, não é trade de câmbio", resume. Com o dólar em torno de R$ 5,20, ele recomenda uma "entrada parcelada" para quem tem pouca exposição global. "Faz sentido começar mesmo com dólar alto, porque o risco maior é ficar 100% dependente de Brasil, real e juros locais. Mas eu evitaria fazer tudo de uma vez. Dividiria em tranches mensais", afirma.

O investidor pode acompanhar índices como o S&P 500 e o Nasdaq-100 por meio de ETFs negociados na B3, como o IVVB11 e o NASD11. O Nasdaq já entrega quase 10% em real este ano. França ressalta que "Nasdaq não é substituto de carteira global. É uma aposta mais concentrada em crescimento, tecnologia e IA. Para a maior parte dos investidores, o S&P 500 ou índices globais amplos são melhores".

As empresas de tecnologia puxam o crescimento norte-americano. Ian Caó, da Gama Investimentos, destaca que o Philadelphia Semiconductor Index sobe mais de 70% no ano. No entanto, o momento é desafiador para novos investidores, com inflação pressionada e juros altos nos EUA, entre 3,50% e 3,75%. "É sempre difícil, se não impossível, apontar picos de mercado", completa Caó.

Guilherme Zanin, analista CFA, aponta que o maior risco do brasileiro não está no dólar ou no Fed. "Maior risco é achar normal ter mais de 90% do patrimônio em Brasil", diz, citando estudo da XP Investimentos que mostra menor retorno e maior volatilidade para quem manteve tudo no país em dez anos.

Os investimentos em inteligência artificial geram expectativa, com volume que pode atingir um trilhão de dólares. Caó alerta que não há como saber quais empresas dominarão o mercado. Rodolfo Marinho, da IP Capital, vê oportunidades em outros setores. "O mercado financeiro norte-americano hoje está funcionando de forma muito monotemática", afirma. Ele observa que o dinheiro novo está indo para semicondutores, energia e data centers. "Não achamos que IA seja uma falácia; é uma tendência genuína de salto de produtividade. Mas esse deslocamento tectônico de capital cria distorções", diz, citando empresas como Mastercard, que cai 15% no ano com lucro subindo 15%.

Europa e China também podem oferecer oportunidades. Luciano França afirma que "Europa pode fazer sentido como diversificação de múltiplos, dividendos, bancos, indústria, defesa, luxo e energia". Sobre a China, ele diz que possui companhias descontadas, mas com riscos de governança. Maurício Garret, do Inter, vê oportunidades na China ligadas à infraestrutura e energia para IA. "O investidor pode rapidamente aumentar diversificação, para ativos em dólares, e acessar mercados financeiros do mundo todo via ETFs", afirma.

O investidor deve ficar atento à inflação norte-americana, que bateu 4,2% em maio, e à resposta do Fed. O juro de dez anos e o prêmio fiscal do país também são variáveis importantes para ações de crescimento, especialmente as de tecnologia, que são sensíveis à curva de juros. O rali só se sustenta se as revisões de lucros continuarem positivas.

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