A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pretende entregar ainda nesta semana a proposta de delação premiada. Essa etapa antecede a negociação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) sobre os benefícios da colaboração e a devolução de recursos.
Cada anexo da delação deve tratar de um episódio diferente de irregularidades cometidas pelo ex-banqueiro e por outras pessoas. Os documentos incluem detalhes da situação, nomes dos envolvidos e apresentação por meios de provas. Nos depoimentos, Vorcaro relata os crimes que teria cometido, as condutas ilícitas que envolvem terceiros e lista as provas que poderá apresentar caso o acordo seja aceito. As informações foram usadas para montar os anexos.
O jornal O Globo divulgou a conclusão dos anexos, e a Folha confirmou a informação. Após a apresentação, que tramitará sob sigilo, a defesa e os investigadores vão discutir condições como redução e regime de pena. Até o momento, autoridades entendem que Vorcaro não deve receber perdão judicial. Também serão discutidos os valores a serem pagos ao Estado, como multa ou ressarcimento.
A defesa do ex-banqueiro tem ido diariamente à Superintendência da PF em Brasília, onde os depoimentos são colhidos. Vorcaro foi transferido no dia 19 de março para a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal para discutir os termos da delação. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que relata o inquérito sobre irregularidades no Banco Master.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior no aeroporto de Guarulhos. A PF aponta que ele tentava fugir do país, mas ele afirma que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o banco. Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, durante a operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também preso nas investigações contra fraudes do Banco Master, trocou sua equipe de defesa e busca fechar um acordo de delação premiada.
