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Bancos veem piora do crédito e apertam empréstimos com alta de calotes

Por Notícias da Semana · · 2 min de leitura
Bancos veem piora do crédito e apertam empréstimos com alta de calotes
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Os bancos privados brasileiros avaliam que o cenário para o crédito deve continuar difícil no restante de 2026. A expectativa é de que os juros permaneçam altos e o comprometimento da renda das famílias continue elevado, o que deve levar a uma postura mais cautelosa na concessão de novos empréstimos.

Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco, afirmou que o ciclo do crédito será desafiador e que o mercado vive um excesso de crédito. Ele disse que prefere abrir mão de crescimento a correr o risco de lidar com a inadimplência no futuro. O Bradesco também indicou cautela, com o presidente Marcelo Noronha afirmando que o banco está reduzindo o crédito pessoal e focando em operações com garantia.

Essa preocupação aparece nos balanços do segundo trimestre. Itaú Unibanco, Bradesco e Santander aumentaram em 12,4% as reservas para perdas com calotes, somando R$ 28,7 bilhões. Esse crescimento foi maior que o da carteira de crédito, que subiu 9,4% no período, para R$ 3,37 trilhões.

A inadimplência geral do sistema financeiro atingiu 4,74% em maio, o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. Em junho, o indicador caiu levemente para 4,68%, ainda acima da média histórica de 3,29%. Flávio Ataliba, pesquisador do FGV IBRE, diz que o percentual reflete a Selic a 14% e a precificação de juros futuros altos, influenciada pela percepção de risco fiscal.

O mercado financeiro, que esperava uma Selic de 12% no início do ano, agora prevê apenas uma redução de 0,25 ponto percentual, para 13,75%. A inflação dos alimentos também é um ponto de atenção, pois compromete mais de 23% do orçamento das famílias com renda de até um salário mínimo.

O endividamento das famílias com os bancos chegou a 49,93% da renda acumulada em janeiro, o maior valor da série iniciada em 2005. O percentual se manteve próximo disso até maio. A tendência, segundo analistas, é que a inadimplência piore ou se estabilize no segundo semestre, com a transmissão da Selic para a ponta sendo lenta.

Os bancos estão restringindo o crédito para consumidores de baixa renda e preferindo linhas com garantia, como consignado CLT, financiamento imobiliário e de veículos. Também usam fundos garantidores do governo para pequenas e médias empresas. O Santander teve o pior balanço entre os pares no segundo trimestre, com lucro abaixo do esperado e aumento dos gastos com provisões.

O Itaú, que tem o menor índice de inadimplência entre os pares, também revisou para baixo a projeção de crescimento da receita com serviços e seguros para 2026, de 5% a 9% para 2% a 5%. O Bradesco ainda enfrenta inadimplência maior, com o custo de crédito subindo para 5,9%, mas manteve a previsão de expansão da carteira entre 8,5% e 10,5% para o ano.

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